Os Barea, os super-heróis de Madagascar
Diz-se que os super-heróis salvam vidas... Em Madagascar, os Barea ressuscitaram muito além do que se pode imaginar. Uma página na percepção dos malgaxes, por muito tempo apelidados de « pet
Diz-se que os super-heróis salvam vidas... Em Madagascar, os Barea ressuscitaram muito além do que se pode imaginar. Uma página na percepção dos malgaxes, por muito tempo apelidados de « pequenos polegar » pela falta de qualificação no desporto em escala internacional, virou-se de uma vez por todas. Que orgulho de ver o mundo inteiro finalmente lançar um olhar gratificante sobre nós !
Barea, o quê ?
Barea, os zebus
Barea é uma variedade rara de zebu que vive nas florestas da região de Tuléar, que se estende pela parte do Centro-Oeste da grande ilha até ao Sudoeste. Barea no dialeto do Sudoeste, Baria no do centro-Oeste, esta espécie de zebu selvagem existe de facto em Madagascar.
Um corpo poderoso, mais peludo do que os outros zebus ; uma bossa bastante volumosa e imposantes chifres compridos, estas características pouco comuns fazem do Barea uma espécie raríssima depois dos cervos que existiam na grande ilha antigamente mas para os quais a caça foi fatal.
Barea, a equipa nacional de futebol
Aqui, a equipa nacional de futebol malgaxe herdou o seu nome Barea em relação aos valores atribuídos ao zebu em Madagascar : poder, potência, riqueza. É deles que falamos.
Conseguiram unificar o povo com vitórias na Copa Africana das Nações (CAN) 2019 de futebol que se desenrola no Egito até 19 de Julho de 2019.
Os Barea conseguiram reunir toda a gente numa felicidade comum que toca os mais pobres aos mais ricos, misturando-se nas ruas para ver os jogos em direto diante de ecrãs gigantes instalados em praças públicas.
Para o povo, nasceram heróis. Nas ruas como nos transportes públicos, é possível ouvir as pessoas expressar a sua admiração e gratidão pelos Barea, os zebus de Madagascar entre si. Do lado dos jogadores, Faneva ANDRIANTSIMA, capitão desta equipa nacional afirma o seu encantamento : « fazer vibrar a população e trazer um pequeno raio de luz a um povo para quem é difícil no país ».
A bela vitória que lhe ofereceu um lugar nos oitavos de final triunfando sobre a Nigéria por 2-0 conseguiu fazer ressaltar uma das mais belas virtudes desconhecidas do povo malgaxe : a unidade... expressa localmente por « miara mirona ! » que pode ser traduzido por « um por todos e todos por um ».
Esta qualificação histórica incrível nos oitavos de final criou mais do que euforia em toda a grande ilha, Madagascar sendo primeira do seu grupo à frente da Nigéria e da Guiné.
Mas não é tudo...
A magia dos quartos de final
Nunca visto! Podia-se pensar que nunca houve uma noite tão emocionante como a de Domingo 07 de Julho de 2019 em terra malgaxe... Senão talvez em 1960 durante a proclamação da independência do país ?
Um belo jogo de futebol arrastou toda a gente a desvanecer durante 120 longos minutos diante do ecrã, como uma odisseia onde nada se pode fazer senão fechar os olhos perante o medo de perder e gritar de esperança perante um raio de vitória, um jogador que corre em direcção à baliza. Um jogo de 2-2 contra a República Democrática do Congo (RDC), finalmente ganho por grandes penalidades de 4-2 qualificou Madagascar para os quartos de final. O último penálti do lado oposto ter falhado criou uma subida de emoção tão forte para os malgaxes ao ponto de causar cinco mortes naquela noite.
As pessoas de nacionalidades diferentes que assistiram à histeria jubilosa daquela noite até admitem « nunca ter visto isto mesmo no seu país quando houve vitórias semelhantes ».
Mas de que magia se fala exactamente ?
Aqueles que assistem ao jogo em casa saem para as ruas para gritar de alegria a cada golo e felicitam-se ; No final do jogo, os bairros estão animados com apitos, aplausos, música ao máximo em comitivas de carros, buzinas ritmadas amplificando a emoção ; grupos de músicos tradicionais fazem paradas nos bairros soprando com devoção nas suas trombetas, batendo nos tambores para tocar ritmos de música encantadores ; ondulam-se bandeiras malgaxes por toda a parte ; batem-se tampas de panelas com fervor ; nos tam-tams com insistência, e os mais afligidos são arrastados por coreografias completamente espontâneas.
Sylvain PHILIP, Diretor Geral de DETOURS declara : « Para mim, é a primeira vez que vejo a comunidade malgaxe tomada por um fervor, uma dinâmica comum, por um bem comum e não individual. É a imagem desta equipa de futebol, colectiva, solidariedade, dinamismo e humildade. São qualificativos excelentes e é isto que eu retransmito ao meu nível na gestão de Détours Madagascar ... Agora é preciso desejar que ao mais alto nível do estado, esta dinâmica virtuosa seja prosseguida e explorada correctamente. Este fervor não é apenas malgaxe, é sem fronteiras. Aqui em Madagascar, toda a gente está atrás dos Bareas, sem distinção e toda a gente sáuda esta bela equipa, mais este belo estado de espírito e ainda mais esta dinâmica finalmente virtuosa, do belo. Para além das fronteiras, em França, no oceano Índico ... toda a gente está com os Bareas e Madagascar. É genial, incrível e bonito de ver. »
« Ainda não é a final » dizem os menos felizes. É verdade. Mas ainda mais verdadeiro é que os Zebus são magos. Trouxeram o que nenhum outro conseguiu provocar e pelo simples facto desta viva emoção que o povo malgaxe teve direito aqui ou do outro lado do oceano, este ar novo que vai inspirar duramente as gerações futuras, estamos gratos aos jogadores de Barea.
Alefa Barea !
Olive Ramarozatovo



