Prova da presença humana em Madagascar há 10.500 anos

Prova da presença humana em Madagascar há 10.500 anos

Prova da presença humana em Madagascar há 10.500 anos

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O Instituto de Zoologia de Londres fez recentemente uma descoberta histórica que abalou o mundo científico. A presença humana em Madagascar teria ocorrido 6.000 anos mais cedo do que se pensava

03 out. 2018 O Instituto de Zoologia de Londres fez recentemente uma descoberta histórica que abalou o mundo científico. A presença humana em Madagascar teria ocorrido 6.000 anos mais cedo do que se pensava, ou seja, há 10.500 anos. As provas foram descobertas em fósseis de aves-elefante.

Novos indícios nos ossos de aves-elefante

Os pesquisadores do Instituto de Zoologia de Londres, liderados pelo Dr. James Hansford, "redataram" a atividade humana em Madagascar. Marcas de processamento de carcaças nos ossos de aves-elefante permitiram chegar a essa conclusão. Os cortes e fraturas nos fósseis indicam que os pássaros gigantes foram caçados e desmembrados. A possibilidade de ferimentos naturais é descartada, mesmo que nenhuma ferramenta de caça tenha sido encontrada nas proximidades do local onde os fósseis foram descobertos. Tudo ficou evidente ao comparar a forma e a posição dos cortes com:

  • Marcas de processamento contemporâneas em emus (pássaros de grande porte da Austrália, fisicamente semelhantes às aves-elefante),
  • Marcas de processamento previamente identificadas em outros fósseis pré-históricos malgaxes.

Trata-se de cortes precisos, sem fraturas, indicando o uso de um objeto cortante manipulado pela mão humana. Além disso, foram infligidos por volta da morte do pássaro. Por meio da datação por carbono 14, os cientistas conseguiram determinar a idade dos fósseis em 10.500 anos. Os estudos conduzidos em ossos de lêmures levaram a crer até então que o Homem tinha colonizado Madagascar entre -2.400 e -4.000 anos. Os resultados desta pesquisa foram publicados na revista Science Advances em setembro de 2018. A coautora do estudo, Dra. Patricia Wright, da Universidade de Nova York, declarou em comunicado à imprensa que essa descoberta inverteu completamente nossa compreensão da chegada dos primeiros humanos à ilha.

O homem finalmente inocente no desaparecimento da megafauna?

É importante saber que os estudos para datar as primeiras atividades humanas na Grande Ilha eram feitos principalmente em fósseis de lêmures. Durante a Pré-História, Madagascar abrigava uma megafauna composta por lêmures gigantes, hipopótamos, tartarugas gigantes e pássaros gigantes, do gênero æpyornis e do gênero mullerornis, de tamanho menor. Estes últimos não foram objeto de muitos estudos e, aparentemente, foi um erro. Essa descoberta sobre a ave-elefante também leva a outra conclusão: o homem não é responsável pelo desaparecimento dessa espécie. De fato, a megafauna e o homem puderam coexistir durante milênios, já que esses animais gigantes desapareceram gradualmente ao longo dos últimos 1.000 anos. Contudo, como os sítios de ocupação humana se multiplicaram durante esse mesmo período (o último milênio), é possível pensar que o desaparecimento da megafauna está ligado à presença humana. Isso é o que aconteceu com o moa da Nova Zelândia (grandes pássaros não voadores), desaparecido 150 anos após a colonização da região do Pacífico.

Se o homem pôde coexistir com a megafauna durante milhares de anos, por que não poderíamos coexistir com o que resta de fauna?

Fauna e FloraHistóriaTurismoCharlène Nomadays Redatora SEO desde o início na Nomadays, que se tornou content manager e responsável pela área de comunicação, Charlène acompanha a aventura desde seus primórdios com paixão e lealdade. Após viver sete anos na Ásia – da China à Tailândia, passando pela Mongólia e Coreia do Sul – ela fez da viagem um modo de estar no mundo. Apaixonada por palavras, natureza e encontros, ela se dedica a transmitir em seus textos uma visão sensível, engajada e responsável do turismo. Cada artigo é para ela uma ponte entre curiosidade, respeito e maravilhamento.

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